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Saga da mochila perdida na Alemanha

Depoimento enviado por Maria Lúcia.

Em 2007 saímos de carro de Salzbourg na Áustria em direção à Alemanha. Passamos por Füssen para conhecer os castelos de Neuschwanstein e Hohenschwangau (lindíssimos, lugares imperdíveis…). Tudo bem conhecemos e seguimos viagem.

No ano de 2009 voltamos para Alemanha, eu, meu marido e um casal de amigos. Fomos para Munique (fantástica, que lugar agradável para se visitar e ficar uns dias!!!!)

Num dos dias em Munique, resolvemos fazer um bate e volta a Füssen para com mais tranqüilidade visitar os castelos de Neuschwanstein e Hohenschwangau e para isso pegamos um trem em Munique em direção à Füssen ( faz a baldeação em Buchloe e a viagem demora mais ou menos duas horas), chegamos  em Füssen  e pegamos um bus em direção a Vila dos  Castelos(Vila de Hohenschwangau). Fizemos tudo por lá: subimos de carruagem até o Castelo de Neuschwanstein(o qual serviu de inspiração ao “castelo da Cinderela”, símbolo dos estúdios da Disney), visitamos o castelo depois fomos até a Ponte de Sta Maria- Marienbrücke ( um lugar que dá um friozinho na barriga mas que tem uma vista deslumbrante dos castelos, da região e das montanhas alpinas). Descemos para a Vila e fomos até Castelo Hohenschwangau (no caminho tem um lago maravilhoso: O Lago do Cisne- Schwansee).

Retornamos para Vila, fizemos as tradicionais comprinhas de souvenir, paramos num bar para uma cerveja alemã maravilhosa, e depois resolvemos retornar para Füssen (que é um mino) e passear por lá o tempo restante antes de tomar o trem em direção a Munique.

Neste momento começou a nossa saga. Pegamos um bus na Vila dos Castelos até Füssen (super perto: em 10 min chega-se na Estação de Trem de Füssen). Descemos do bus e começamos a caminhar em direção ao centro de Füssen. Foi quando percebi que meu marido estava sem a nossa mochila – aquela que vc carrega de tudo: luvas, cachecol, celular (o meu no caso), passagens do trem para Munique, meus cartões de crédito e justo naquele dia meu marido colocou tb os nossos passaportes.  Sim, meu marido havia esquecido a mochila no bus!…Tentamos correr atrás do bus, mas o perdemos de vista.

A partir daquele momento começaram as cenas de uma peça tragicômica. Os quatro começaram a pensar em como recuperar a mochila. Retornamos para estação, de onde partiam o bus (claro que para várias direções, não só para os Castelos), tentamos falar com alguns motoristas de ônibus que estavam estacionados no local, com alguns motoristas de taxi estacionados por lá, mas eles não falavam nada de inglês; eles percebiam que estávamos aflitos, mas não entendiam o nosso problema.

Eu e meu marido pegamos um taxi e voltamos para a Vila dos Castelos na esperança de que o bus teria retornado para lá. O motorista do taxi não falava nada em inglês e a nossa comunicação com ele foi gestual e a única palavra que ele entendia era BUS. Chegamos à Vila e nada do bus, então retornamos com o mesmo taxi. Os nossos amigos, Filó e Admilson tinham ficado no plantão, lá na estação, cercando todos os bus que passavam por lá. Um motorista de Bus tentou ajudar-nos mostrando a escala dos bus, mas como não falava nada de inglês pouco facilitou a nossa vida.

Fomos até Centro de Informações Turísticas de Füssen; lá o pessoal falava o inglês e procurou nos auxiliar. Ligaram para a empresa de bus, mas já estava fechada. A cada negativa de solução íamos ficando mais preocupados e já não conversamos mais entre nós. O nosso amigo tentou falar com todos os motoristas de Bus que por lá estacionavam. Era engraçado, porque ele ia, falava (tentava falar) e voltava sempre de carona até a entrada da estação, eles não nos entendiam e nós não sabíamos o que eles pensavam daqueles quatro que vez e outra corriam atrás de um Bus. Meu marido já pensava no plano B, por exemplo, o casal de amigos retornaria para Munique, nós permaneceríamos na cidade e no after day resolveríamos o caso.

Nossos amigos solidários não queriam nos deixar naquela situação, e então perdemos, todos nós, o trem das 16h para Munique. Meu marido e o nosso amigo retornaram ao Centro de Informações Turísticas para pegar indicações de hotéis para pernoitarmos por lá. Eu e Filó ficamos no plantão da estação. Com estas indicações em mãos eles retornavam para nos encontrar na estação.

Aí a emoção deu lugar à razão. No trajeto de volta do centro de informações turísticas para a estação do trem (a estação dos bus era anexa à estação dos trens), meu marido resolveu ligar para meu celular que estava na mochila, o qual chamou várias vezes e por fim caiu na caixa postal. Mas, na seqüencia o cel dele tocou, era o meu nº chamando e a pessoa que chamava falava em inglês então ele começou a conversar com ela.

O engraçado é que eu e Filó víamos o meu marido e o Admilson vindo na nossa direção, meu marido falando no cel e eu dizia pra Filó: nossa o Benzão está tão nervoso que já está falando com o Brasil para cancelar os meus cartões de crédito… Conforme eles se aproximavam da gente percebemos que ele falava em inglês… Nós ficamos paradas olhando tentando entender o que estava acontecendo e ele dizia: por favor, preciso para hoje, pois tenho que retornar para Munique. O Admilson tb falou com a moça por fone e a convenceu de nos encontrar na estação.

Eles explicaram que a pessoa no telefone era funcionária da empresa de Bus (seu nome era Katja) que presta serviço naquela região, e que o motorista do bus encontrou a mochila logo depois que descemos. Era a ultima viagem dele naquele dia, então  deixou a mochila  no escritório da garagem.

A Katja estava indo embora quando escutou o celular tocar de dentro da mochila e resolveu retornar para o nº chamado e falou com meu marido dizendo que nos poderíamos retirar a mochila no dia seguinte, mas depois de tantos pedidos ela resolver levar a mochila na estação de trem de Füssen. Esperamos por dez minutos e logo ela chegou com a mochila com tudo dentro.

Meu Deus!!!!!!  Ficamos tão alegres que nos abraçamos e abraçamos tb a moça (vcs sabem os alemães não são tão de abraços assim como os brasileiros, mas não teve jeito ela foi abraçada e muito, pois ela foi a heroína da continuidade da nossa viagem).

Retornamos para Munique super aliviados e com algumas lições a pensar….. existem pessoas integras  e solidárias!!!! Muitos comentam a sorte foi que vcs  estavam no interior da Alemanha porque se estivessem em outro lugar o final da história muito provavelmente seria outro.

Para nós quatro ficou o seguinte: que tanto o comportamento do motorista que achou a mochila quanto o da moça que a guardou e gentilmente foi nos encontrar na estação para devolvê-la, deveria ser a atitude de qualquer cidadão em qualquer parte do mundo, isto se chama: EDUCAÇÃO, HONESTIDADE, SOLIDARIEDADE.

#Alemanha #Europa #fussen

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